Teoria do purgatório feita por fã sobre Ultraviolence



Eu adoro teorias de purgatório. 

Aquelas em que tá todo mundo preso em uma realidade alternativa e ninguém consegue sair porque estão mortos e aquele é o purgatório. Fizeram isso com Caverna do Dragão. E com Lost. 

Mas o que é o purgatório? 


Ler A Divina Comédia eu tô lendo sim, só que ainda tô no Inferno. Vou confiar na internet quando ela diz que essa imagem é uma ilustração do Dante no Purgatório. 

Digamos que você morreu. Morreu sem ser perdoado por um determinado pecado, mas você não é uma pessoa totalmente má, então você recebe mais uma chance. O purgatório é o meio do caminho entre o céu e o inferno. Você vai ficar lá para se purificar ou receber um castigo temporário e logo terá seu caminho decidido. Paraíso ou sofrimento eterno. 

O que faz super sentido com Caverna do Dragão e Lost. Eles passam por diversas provas e conflitos. Faz parte, né? Você meio que tem que se purificar por meio da dor e ultrapassar obstáculos para chegar ao céu. 



Acontece que fizeram uma teoria do purgatório sobre o Ultraviolence, o terceiro álbum da Lana Del Rey. É notável que ouvir esse álbum é atravessar um portal e entrar em um vórtex de autodestruição. 



A teoria foi feita por um fã e eu encontrei o texto nesse site. 

Vou tentar colocar em palavras o que eu entendi. 


A teoria é basicamente essa: Ultraviolence conta uma história. A Lana, ou melhor, o eu lírico das canções se suicidou. Pelo que eu entendi, o motivo foi uma overdose, por causa do grande número de referências ao uso de drogas. O motivo seria um relacionamento abusivo, tóxico, em que ele também usava as mesmas coisas que ela.  As músicas do álbum giram em torno do eu lírico tentando se purificar no purgatório. Não dá certo. O eu lírico vai pro inferno. 



Mas como chegamos a isso? 

Tudo começa com a primeira música do álbum: Cruel World. 



Sempre ouvi essa música como se fosse um portal. Sério. É uma música longa, tem uns 7 minutos. Pra mim, é transcendental. É realmente ir para outro mundo. E olha o título: o mundo em que vivemos é cruel mesmo, o que dá vontade de morrer. Olha a teoria aí falando do suicídio. 

O autor da teoria fala sobre os primeiros versos dessa música: 

Shared my body and my mind with you / That's all over now / Did what I had to do / Cause you're so far past me now / Shared my body and my life with you / That's way over now / There's not more I can do / You're so famous now

O eu lírico está em um relacionamento abusivo. O parceiro está claramente 100% nem aí. Olha como ela fala sobre tudo estar acabado e como ela teve que fazer algo. O que ela fez pode ter sido o suicídio. 

Nessa música, ela fala como gosta de heroína e como ela é louca, uma bagunça. 

Aí entra o clipe de West Coast. 


Nele, a Lana está na praia com um homem jovem. A partir do momento em que ela cai no mar é como se ela viajasse no tempo ou algo assim. Mas vou pegar leve com a forçação de barra. Acontece que logo em seguida ela está em um carro com um homem idoso. E ela continua jovem. 

Claro, pode ter a interpretação de que são duas pessoas diferentes. Mas na verdade... 

Ela continua jovem, ou seja, ela está morta, porque ela cometeu o suicídio quando era jovem. Vai ficar daquele jeito pra sempre. O cara continuou vivo e envelheceu. E quando ela está com o homem mais velho, tudo é meio fantasmagórico. Ele quase não se importa com ela, está sério. É o fantasma do eu lírico ao lado dele. 


Bem legal a escolha do preto e branco pra essas cenas

O autor da teoria faz uma lista das músicas, sobre como elas são sobre esse processo de purificação. 

Ultraviolence fala sobre um relacionamento abusivo, em que o parceiro bate nela e ela sente como se fosse amor verdadeiro. E ela diz "Yo o soy la princesa, comprende mis white lines". Há grandes chances de white lines ser uma referência à cocaína. 



A Lana já falou sobre cocaína em Off To The Races, Florida Kilos (canção bônus do Ultraviolence!), Yayo.

Shades of Cool é mais uma música sobre um relacionamento tóxico. Ela é uma das mulheres desse homem, que é inconsertável. Ela fala sobre como não consegue entrar em seu mundo. E ah, "he loves his drugs".



Sad Girl. Ela é triste, ela é má. Ela repete várias vezes como é triste. 


Being a bad bitch on the side/ It might not appeal to fools like you/ We've been around when he gets high/ It might not be something you would do

Esse relacionamento é a personificação do vórtex de autodestruição. É entrar pra sofrer. Talvez ela esteja no purgatório tentando se purificar disso. Dessa dor. 

Pretty When You Cry. Tudo que ela faz é esperar por uma pessoa que nunca vem. É uma música sobre como ela fica bonita quando chora. 



Em Money Power Glory ela fala sobre Deus: 



You talk lots about God/ Freedom comes from the call, but/ That's not what this bitch wants/ Not what I want at all

Parece que ela não tá muito a fim. Parece que ela tá desistindo do plano de purificação. 

E tem Fucked My Way Up to the Top. Não tem muito o que dizer. Meio que ela não fez muita coisa tida como "certa". Fodeu o caminho até o topo.



O engraçado é que eu percebi agora que o purgatório tem um topo, de acordo com as ilustrações feitas a partir das descrições de A Divina Comédia. Não sei se tem algum sentido, eu teria que ler os cantos e interpretar os círculos do purgatório, mas é uma relação interessante. 

Não entendo italiano, mas parece que ali no topo é o círculo dos luxuriosos, o que faz sentido nessa teoria, já que ela tem um vínculo muito forte com o homem que ela ama. 



Francesca e Paolo sabem bem que dá pra ir pro Inferno por causa de amor. Mas parece que eu tô um pouco obcecada pela poesia do Dante. 

Francesca e Paolo sendo flagrados pelo marido dela. 

As primeiras músicas tem um tom bem triste em relação ao sofrimento nesse relacionamento tóxico, e nessas últimas duas músicas, de repente fica mais 100% nem aí, tipo "não me importo com o que foi feito". 

A teoria termina com Old Money. Não importa o que aconteça, ela não vai conseguir sair desse amor que a leva pro caminho que Deus não curte. Se o cara chamar, ela vai correr até ele. 




É quando ela é condenada pro inferno. 

Uma cena do clipe de West Coast. 


Só pra lembrar que essas ideias NÃO são minhas. Não consegui achar o nome dos autores, mas deixo os sites aqui. Eu adorei as teorias. Acho super válido como cada pessoa atribui um significado diferente à arte. 



4 comentários:

  1. Nossa, menina IUHAUHAUHOAUI eu fiquei bugada com essa teoria e olha que eu nem nunca ouvi o álbum (não curto a cantora). Mas achei interessante o estudo que esse fã fez.
    Beijos
    Sil - Estilhaçando Livros

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    1. Hahahaha buga demais, né? Também fiquei assim. Se um dia você sentir vontade de ouvir Lana, dizem que esse é o álbum mais diferente dos outros que ela tem :)
      Bjs

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  2. Gosto de várias músicas da Lana e essa teoria também me bugou, agora vou ficar pensando nela até 2030 hasuhuahuha. Adorei a teoria, a de Caverna do Dragão eu já sabia, isso me intriga muito. E de Lost foi um baita spoiler hashaha, mas não faz mal, já tinham me falado o desfecho em partes.
    Adorei o post. Beijos!
    http://sonaorepareabagunca.blogspot.com.br/

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    1. hahahaha sim!!! Temos muito material para pensar até 2030 hahaha
      Miga, mas foi só uma teoria, não falei nenhuma verdade sobre Lost hahahaha inclusive, é a minha série favorita mas até hoje eu não entendi o final, ou seja, não dá pra passar spoiler hahaha
      Brigada! Bjs

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