5 motivos para ver Anomalisa



1- Direção 


O filme é dirigido pelo Charlie Kaufman. Sim. O roteirista de 

a) Quero ser John Malkovich 

b) Adaptação

c) Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças

Você já pode esperar por um pouquinho de depressão e melancolia na vida das personagens, elementos surreais e vários questionamentos sobre a vida e a existência. 




E foi codirigido pelo Duke Johnson. 


2- Stop Motion 


Vi um comentário muito interessante sobre como o filme mais humano de 2015 possui personagens que são bonecos de massinha. Ele foi feito em Stop Motion e, sério, é lindo. As expressões faciais são muito reais. Há uma linha no rosto deles, como se o rosto humano fosse uma máscara. O que abre a discussão sobre como nós nos mostramos pro mundo com uma persona, não como o que há realmente dentro de nós. 

Dá pra sentir como eles se relacionam de maneira desconfortável, desastrada, fria? 

Tem uma cena, logo no começo, em que um motorista de táxi xinga outro motorista no trânsito. Tive um insight na hora. Ao ver aquele boneco com uma atitude que eu vejo o tempo inteiro, só consegui pensar em como nós somos apenas meros bonecos nessa vida. Como formigas dentro da ordem do formigueiro. Nós achamos que temos um sentido, criamos rotinas e convenções sociais, mas somos apenas bonecos feitos de massa de modelar andando de um lado pro outro. E nos rendendo às atitudes mesquinhas, como se irritar no trânsito. 

O trabalho foi realmente muito lindo. 



3- Enredo 


Michael é um palestrante motivacional. Ele fala sobre atendimento ao cliente, sobre como cada cliente deve ser tratado com um sorriso e com atenção, já que cada um é um indivíduo, que tem problemas, traumas e desejos. 

A hipocrisia começa quando Michael, na real, não consegue se conectar com ninguém. Sério. Ele é arrogante e egoísta. Ele sabe seduzir um "cliente", mas é falso. E o pior: ele fala sobre a importância da individualidade de cada pessoa, mas TODAS as pessoas do mundo, pra ele, possuem o mesmo rosto e a mesma voz. 

SIM. 

Não importa se é mulher, criança ou homem. Ele enxerga todos com o mesmo rosto e a mesma voz. 

Michael está numa indiferença  e tristeza tamanha que todos são da mesma forma.  

Todos dessa cena possuem o mesmo rostinho, menos ele. 

Ele se hospeda em um hotel, porque vai dar uma palestra naquela cidade no dia seguinte, e a história começa aí. Do nada, ele escuta uma voz diferente. Uma voz feminina. 

É da Lisa. Uma mulher insegura, meiga, que está ali para ver a palestra que ele dará. 

Aí começam diálogos maravilhosos e cenas inesquecíveis. Tem beleza, delicadeza, ternura, mas também tem desconforto, crítica às relações interpessoais atuais e um sentimento de eterna insatisfação. Também tem crítica sobre como a gente acaba se comportando como um robôzinho. Não queremos intimidade, não queremos sentimentos. Talvez algumas pessoas os usem até chegarem a um objetivo, na busca infinita por prazer de forma superficial e fria. 

O que me lembra um texto que eu li há um tempo. Gostaria muito de lembrar do nome para ler de novo. Era algo sobre como várias pessoas acreditam que sexo casual tá ok, mas a partir do momento em que você trata a outra pessoa como um ser humano e entra em assuntos como infância, rotina e etc, já vira intimidade DEMAIS. As pessoas fogem desse contato. Demonstrar verdadeiramente o que você sente não pode. Se envolver? Jamais. 

O filme só tem três dubladores. Simples assim. Complexo assim. 

Chorei muito com o final. Algumas coisas são tecidas com tanta delicadeza que é impossível não chorar. Assisti o final umas três vezes e já quero ver o filme de novo. 

Segura o meu coração nessa cena. 


4- Cada um possui um olhar


O que ficou pra mim desse filme é como cada pessoa tem uma visão de mundo. 

Cada um enxerga o que está ao seu redor de uma forma. Nós não temos o poder de mudar a visão dos outros, mas podemos mudar a nossa. Nós somos os responsáveis pelo nosso sentimento de eterna insatisfação. 

Às vezes, entramos em um relacionamento e achamos que a culpa por não ter dado certo é toda nossa, mas nós esquecemos que o problema pode estar na forma como a outra pessoa enxerga o mundo. Não importa o que você faça, você não vai mudar a forma como a outra pessoa vê as coisas e, principalmente, como ela as sente. 

Ninguém é culpado. Cada pessoa vê e sente de uma forma diferente. 

Como a Lisa diz: não entendemos, mas aceitamos. 

5- Título


Assista o filme pra entender a construção desse título. Bem bonitinho, bem pertinente. 



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