Resenha: Operação Impensável - Vanessa Barbara



Título


Operação impensável 


Autora 



Vanessa Barbara nasceu em São Paulo, no Brasil, em 1982. Geminiana. É jornalista, tradutora e escritora.

Escreve para O Estado de S. Paulo e o International New York Times. Ganhou o Prêmio Jabuti de reportagem com O livro amarelo do Terminal, que fala sobre a Rodoviária Tietê de São Paulo. Como frequentadora assídua do famigerado transporte público, adorei a ideia e quero muito ler. 


Contexto do lançamento 


Operação impensável foi lançado em 2015. Vanessa Barbara tinha 33 anos. 2015 foi um ano comum do calendário gregoriano. A NASA encontrou água congelada e céu azul em Plutão. 


Sobre




Esse livro é a minha mais nova obsessão.

Do tipo de ler tudo em um dia só. Jantar rapidinho com o livro do lado só pra voltar a ler.

Algumas reações?

Eu ri. Fiquei indignada. Tive que parar de ler e andar um pouco pra processar tudo o que estava acontecendo. Virei pra minha mãe e disse: "Não acredito que isso está acontecendo". Terminei o livro e fiquei procurando por várias entrevistas com a autora ou informações adicionais sobre o livro. Até despertou uma fascinação pela Guerra Fria que eu nem sabia que tinha.

Guerra Fria foi aquele período logo após a Segunda Guerra Mundial. É fria, porque foi uma guerra de ideologia, não houve envolvimento de armas reais. Tava lá: EUA com o seu capitalismo e URSS com o seu socialismo. Um queria mostrar que era melhor que o outro e só ficavam trocando farpas e ameaças. Exatamente o cenário da decadência de um relacionamento abusivo. É por isso que a metáfora da Vanessa Barbara é tão genial.

Quem já esteve naquela fase do relacionamento em que a coisa tá acabando sabe como é esse climão vivido pelos EUA e URSS. A qualquer momento, alguém pode explodir uma bomba nuclear e acabar com tudo ao redor. É aquele sentimento, tão presente nas tragédias gregas, de que tem alguma coisa muito ruim acontecendo.

O romance mostra o casamento da Lia e do Tito, que seriam, respectivamente, EUA e URSS. Do começo até o fim, por meio de uma narração em primeira pessoa da Lia.

Sim, o livro tem fotos e uma diagramação toda diferente e lindinha

A fase do começo do amor foi muito bem retratada. Os e-mails longos recheados de declarações (por parte da Lia...), as piadas internas (que são muito engraçadas), o amor pelo cinema (eles fazem resenhas dos filmes que viram juntos). Imperdível ler a opinião dos dois sobre Cidade dos sonhos sem rir: para eles, o Lynch escreveu e dirigiu esse filme "sob o efeito de cogumelos".



Mas toda essa felicidade acaba. Começamos a assistir, pelos olhos da Lia, a deterioração da relação.

Tito começa a conversar com uns amigos machistas, surge umas suspeitas de traição e quando vemos estamos dentro de uma investigação. Mas não aquela investigação de série de TV, com detetive e perseguição de carro. Eu falo daquela investigação que fazemos quando sentimos que a  outra pessoa já não sente o mesmo. Começamos a olhar para todos os detalhes em uma tentativa de descobrir o que está acontecendo.

Todo mundo que já sofreu por amor ou que já esteve em um relacionamento abusivo vai entender e vai se identificar com toda aquela tortura psicológica com que, às vezes, nos deparamos. Principalmente pelo fato de que a Lia tinha depressão e derivados, o que não foi respeitado pelo Tito.

Recomendo muito!

E a Lia é uma personagem maravilhosa. Tem The Wire como série preferida e descobriu quem matou a Laura Palmer, de Twin Peaks, com cinco episódios de antecedência. 

Bom pra quem gosta de...


...referências à vários outros livros (como O grande Gatsby, por exemplo), uma escrita linda, um livro triste mas que te deixa feliz por ter lido algo tão bom, acompanhar o fim de um ciclo.

Sobre a edição 


Essa edição é da Intrínseca, de 2015. Tem 224 páginas.

Achei a capa muito bonita. Dá pra ver que as cores se dividem acompanhando a linha de separação existente no casal da foto.

As folhas são grandes, meio amareladas, o que é extremamente positivo. No começo estranhei o tipo de fonte escolhida, mas durante a leitura percebi que ela beneficiava o projeto do livro, uma vez que ele envolve e-mails e resenhas de filmes. No final, deu um toque moderno ao livro.

A edição é super caprichada, o que eu sempre percebo nos livros da Intrínseca que eu tive a oportunidade de ler. 

Um trecho 


"Acho que fui um Xbox antigo e feio na vida do Tito, uma geringonça que veio de longe e demorou um tempão para chegar. Mas que possuía defeitos; então ele enjoou e trocou por um outro". 

20



Eu fiz 20 anos há menos de uma hora e não sei muito bem o que eu tô fazendo. Tenho que acordar cedo para viajar e o peso de viajar sozinha tá maior do que o normal, como não acontecia há um ano. É aquele sentimento de saber que não vai ter ninguém me esperando na rodoviária de lá. E que eu vou ter que seguir sozinha. Porque uma coisa que eu aprendi nessas duas décadas é que ficar longe dos pais dá uma saudade grande. É uma dor grande. 

Terça eu sei que vou ter que comprar um liquidificador. Terça vou continuar seguindo. Não posso faltar na aula de francês, não posso estourar em falta. Preciso passar no supermercado e comprar banana e linhaça. Talvez passar no xerox mais tarde. Tem greve, tem instabilidade política. Eu virei duas décadas nesse universo e ainda tô meio confusa. Tô cheia de planos, como nunca estive. 

O que eu aprendi nesse tempo? Sundae de doce de leite do Burger King é muito bom; Tic Tac sabor pipoca, nem tanto. Uma panela elétrica pode salvar sua vida se você não sabe cozinhar. Perdoar é muito melhor do que eu pensava. Poker é mais fácil do que truco. Quando as pessoas dizem que pintar o cabelo requer cuidados, como hidratação, elas estão realmente certas. Não é uma boa ideia ficar misturando destilados e fermentados. 

Acho que o sentimento que fica é de que um novo ciclo tá se abrindo. É uma nova década pela frente. Tô animada pra começar tudo isso. Parabéns pra mim!


Pokémon TAG

Ano passado eu comecei uma maratona Pokémon. Descobri que aqueles episódios de vinte minutos são viciantes, divertidos e envolventes - eu realmente me importei com a jornada Pokémon do Ash. Descobri que acho a Clefairy a pokémon mais fofinha e linda do universo e que adoro o Bulbassauro. Decorei a música da abertura (Pokémon, temos que pegarrrr) e o discurso da Equipe Rocket sempre era um dos meus momentos favoritos. 

Depois de todo esse vício, fiquei super feliz quando vi uma TAG sobre Pokémon. Vi no blog My Dear Library. Não sei onde a TAG se iniciou (se alguém souber, me avise, por favor), mas achei tudo maravilhoso. 

Então, Pokémon TAG, eu escolho você!




Pikachu - Um livro que te chocou 




Ensaio sobre a cegueira - José Saramago 


O romance do Saramago aborda uma epidemia de cegueira. O que aconteceria se todas as pessoas começassem a ficarem cegas? Como é um mundo onde ninguém enxerga? Os primeiros a ficarem cegos vão sendo levados para a quarentena e o que acontece lá é chocante. É o ser humano sendo levado ao extremo do desconforto e, a partir disso, agindo com crueldade, de um sadismo inexplicável. É um livro pesado. Há traição, ameaça, opressão, abuso sexual. Tudo escrito com aquele jeitinho único do Saramago - um escritor muito talentoso. E se você estiver preparado e quiser um verdadeiro choque do trovão, opte pelo combo livro + filme. O filme tem diretor brasileiro, Fernando Meirelles, atores ótimos (inclusive a princesa Julianne Moore) e é tão denso quanto o livro. Do tipo que me deixou sem saber o que falar, apenas pensando em quão pequenos os meus problemas eram perto dessa realidade tão crua. 


Squirtle - Um livro que te fez chorar




A culpa é das estrelas - John Green





Esse livro é narrado pela Hazel, uma garota, completamente adorável forte maravilhosa, que é paciente de câncer. A pedido da mãe, ela passa a ir em um grupo de apoio, onde conhece Gus, que também possui câncer. Os dois são fofos, gostam de ler, embarcam em uma aventura linda por causa do livro preferido da Hazel e dá vontade de chorar só de pensar neles. O livro é bem gostoso de ler, bem sensível e desperta muitas emoções. Como disseram: você vai rir, vai chorar e ainda vai querer mais. Pra quem quiser mais, sempre tem o combo choque de trovão (como foi citado anteriormente): tem filme e é maravilhoso. 

Okay? 



Charizard - Um livro que te deixou tão bravo que você queria colocar fogo nele




Até o dia em que o cão morreu - Daniel Galera



Esse gif do Charizard define exatamente o que eu senti lendo esse livro. A história é sobre um homem que mora em Porto Alegre e passa os dias bebendo cerveja. Um dia ele encontra um cachorro e decide levá-lo para casa. Além disso, ele conhece Marcela, uma modelo, com quem começa uma relação. Um dos pontos que me incomodaram. O personagem é irritante e a trata, apenas, como um objeto que ele pode usar casualmente. Até o cão ele trata com desdém. Há momentos em que ele bate nele. Não desmereço a escrita do autor, mas não senti empatia alguma por um personagem que, me pareceu, ter ideias e atitudes machistas. É aquela história: infelizmente já conhecemos tantos homens assim na vida real que fica foda aguentar até na literatura. Tô procurando mais representatividade feminina. 


Pidgey - Um local de um livro para onde você gostaria de voar




Macondo de Cem anos de solidão - Gabriel Garcia Márquez



O Gabo faz parte do realismo mágico, então imagina o que a gente pode esperar dessa cidade que ele criou? Tudo é incrível lá. Ciganos passavam com esteiras voadoras! Mas o que eu queria mesmo era voar na época do Mauricio Babilônia, um personagem que não importa onde estivesse, borboletas amarelas o acompanhavam. 


E uma das coisas mais bonitas que eu já vi em um casal na literatura: quando Mauricio e Meme se apaixonam, as borboletas passam a acompanhá-la também. Gente, o quão incrível são pessoas que são acompanhadas por borboletas sem parar? E todo mundo tá de boa com isso? Só em Macondo. 



Meowth - Um livro que você não compraria de novo 




Robinson Crusoé - Daniel Defoe





Eu sempre gostei muito de histórias em que pessoas ficam perdidas em ilhas. Eu amo Lost e O senhor das moscas. Mas não consegui gostar desse livro. Ele é todo o diário do Crusoé após cair em uma ilha e passar anos e anos sozinho. Achei um pouco maçante acompanhar o cotidiano dele construindo o abrigo e criando objetos com argila. 


Torchic - Um livro que te faz sentir quente por dentro





O amor nos tempos do cólera - Gabriel Garcia Márquez





Não sei nem o que dizer, apenas sentir. Meu escritor preferido escrevendo meu livro preferido do universo. Ele me deixa feliz e triste ao mesmo tempo. É a escrita mais poética e linda que eu já li. A história é sobre Florentino Ariza e o amor impossível, e que dura a vida inteira, que ele sente por Fermina Daza. O livro vai acompanhando a vida dos dois e é aquela coisa maravilhosa: tem muito realismo mágico, tem muita reflexão sobre amor, a vida e as emoções humanas. É um caleidoscópio de dor e lembranças. 


Psyduck - Um livro que te deixou confuso e desesperado por respostas

 

Todos os livros de Desventuras em Série - Daniel Handler




São treze livros de muito mistério, teorias, sociedades secretas, símbolos estranhos e perseguições. Já falei um pouco sobre a minha relação com essas três crianças nesse post. O que eu tava fazendo com treze anos? Procurando no Google, desesperada, respostas para os enigmas dessa série. E até hoje não entendi tudo, vou ter que reler. Recomendo demais. 


Jigglypuff - Escolha um personagem fraco que você não conseguiu evitar amar




Esther de A redoma de vidro - Sylvia Plath 




Não me senti 100% confortável em chamar um personagem de fraco, não sei se entendi direito o que isso significa. Não escolhi a Esther porque a acho fraca, pelo contrário, acho que ela é muito forte. Apenas a escolhi porque ela é uma personagem com problemas psicológicos sérios que colocam obstáculos em sua vida. 

Esse romance é extremamente denso. Esther é uma jovem que está fazendo um estágio em uma revista de moda em NY. Ao voltar para casa, ela começa a ter depressão. Há tentativas de suicídio, passagens em hospitais psiquiátricos e terapias a base de eletrochoques. É pesado. É a história de uma jovem que vai, lentamente, entrando em um estado de torpor. Ela se sente como se estivesse presa em uma redoma de vidro. 

Ainda pretendo escrever um pouco sobre esse livro, mas o que eu posso dizer é que eu gostei muito, porque tive uma identificação muito grande. A história de Esther é tocante e eu, em partes, a entendo. 


Pinlup - Um livro subestimado





Gone - Michael Grant



Eu já não via tanta graça em literatura infanto-juvenil até encontrar esse livro. Comecei sem expectativas e amei! É uma série que aborda um acontecimento muito estranho: do nada, todo mundo que tem mais de quatorze anos some, desaparece. Tudo fica nas mãos de crianças e adolescentes. E isso é muito interessante de acompanhar. São crianças liderando, com um McDonald's a disposição, tendo acesso à armas e carros. Pra mim, é quase como se fosse um estudo sociológico. É tipo um O senhor das moscas, só que na cidade. Bônus: algumas pessoas tem poderes. X-men feat. O senhor das moscas. Inclusive, algumas partes me chocaram tanto (tipo, crianças são realmente capazes de tantas crueldades? Várias reflexões sobre opressão com esse livro) que eu cogitei colocá-lo no lugar do livro do Saramago ali na seção de livros chocantes. Recomendo! Personagens interessantes e enredo bacana. 


Mr. Mime - Quantas pessoas você irá taggear e quem são elas




Todas


Quem gostou da TAG e estiver com vontade, sinta-se a vontade para fazer e, por favor, me mande o link, porque vou amar ler!

Amei responder, amei relembrar desses livros e, principalmente, de Pokémon, que eu tenho uma paixão enorme. E olhando esses gifs: que cores lindas. Nunca tinha reparado que esse anime é tão colorido e lindo. 

Espero que tenham gostado. Deixem nos comentários opiniões sobre os livros, seu pokémon preferido e se você também acha que super rola um clima romântico entre Clefairy e Pikachu. 

Bjs!


Resenha: Grande Magia - Elizabeth Gilbert



Título


Grande magia: Vida criativa sem medo


Autora




Elizabeth Gilbert nasceu em Connecticut, nos EUA, em 1969. Canceriana. É romancista, ensaísta, contista, biógrafa e memorialista. 

Ficou muito conhecida por seu livro de memórias Comer, rezar, amar. Nele, ela conta como foi o seu divórcio e a viagem que fez ao redor do mundo após o ocorrido. Cada verbo equivale a um país. Gilbert comeu na Itália, rezou na Índia e amou na Indonésia. É uma narração sobre uma cura, emocional e espiritual, de forma muito bem-humorada e inspiradora. 

Contexto do lançamento


Grande magia foi lançado em 2015. Liz tinha 46 anos. 2015 foi um ano comum do século XXI, ano mais quente desde de 1880,  ano em que a NASA mandou uma sonda pra sobrevoar Plutão e tivemos eclipse lunar. 

Sobre



Há uns três anos, lembro que peguei Comer, rezar, amar na biblioteca, sem expectativa alguma. Eu sabia que havia um filme, mas não fazia ideia sobre o que era. Até hoje não consigo me lembrar exatamente o que me fez pegar esse livro. Foi algo bem espontâneo. 

O que eu encontrei? Um dos meus livros favoritos. 

Um livro que me deixou, literalmente, com vontade de sentar em uma fonte e escrever. E viajar, claro. 

Eu acho incrível como a Elizabeth consegue contar de maneira bem-humorada tantas histórias sobre ela e outras pessoas. É tudo muito real. 

E dessa vez ela escreveu de forma real sobre a magia. 

A autora tem um lado espiritual muito forte, o que eu acho lindo. A Grande Magia seria um tipo de inspiração que nos leva a criar, produzir, viver de forma criativa. Ela entra em você quando você escreve, desenha, patina no gelo ou faz esculturas de madeira. 

O livro é um incentivo para que todas as pessoas deem uma chance para essa inspiração entrar na sua vida. Porque tudo o que temos que fazer é ficar de braços abertos para todas essas ideias que vagam pelo universo e estão esperando por nós. 

Como se fôssemos uma espécie de casulo. As ideias seriam as lagartas e com a nossa ajuda, elas se transformariam em borboletas, reais e concretas. 




O livro aborda várias fases da criação de algo artístico. Fala sobre a coragem que o artista tem que ter para dar vida a sua arte, porque a criação é um processo cheio de medo.

Mas a mensagem que fica é linda: todos nós temos um tesouro dentro de nós e temos que deixá-lo sair. 

Algo que me chamou muita atenção foi algo que ela falou sobre o mártir. Todos nós já conhecemos, em algum ponto da vida, um artista que entra em um vórtex de autodestruição para criar. A autora falou sobre a fetichização da dor. Caramba, isso é muito real. E me lembrou o que o Stephen King disse em outro livro que fala sobre criação de arte, Sobre a escrita: ele falou que não precisamos nos destruir pra criar algo. 

Eu, pelo menos, vejo que às vezes trato o sofrimento como um bichinho de estimação. Cuido dele com toda atenção, porque sinto que esse sentimento é muito real e é algo que eu consigo expressar. Mas após ler esse livro, parei pra pensar em várias coisas sobre esse endeusamento dos sentimentos ruins. 

A leitura é leve, divertida. Todos os capítulos são bem curtos. Li em dois dias. Recomendo demais para todos que gostam de criar ou querem levar uma vida criativa. Há histórias muito boas e o incentivo é gigante! 

É aprender que a arte é sagrada, mas também não é tão séria. É leve, tranquila e faz a gente se sentir bem. E tem arte que vai ser um soco no estômago sim, isso é ótimo, mas não há nenhum motivo para que a nossa alma viva na eterna destruição. 


Bom pra quem gosta de...


... criar qualquer coisa, arte, incentivo, autoajuda, um bom papo espiritual, histórias leves e engraçadas, Comer, rezar, amar


Sobre a edição 


Li no kindle. Aqui no Brasil esse livro foi lançado pela Editora Objetiva. Não sei como ele está por dentro, mas a capa é muito linda. Lembra muito o Festival das Cores indiano. Ele tem 192 páginas.



Um trecho


Gilbert falando com um editor imaginário sobre as rejeições que recebia ao enviar contos: 


"Pensa que consegue me desanimar? Ainda tenho mais uns oitenta anos para vencer você pelo cansaço! Existem pessoas que ainda nem nasceram e que vão me rejeitar algum dia, só pra você ter ideia de por quanto tempo pretendo continuar insistindo". 

Livros lidos em abril

Abril foi um mês de começar novas leituras. Estou com várias leituras em andamento, como a biografia de Borges, por exemplo. Li muitos contos, por causa da aula de literatura hispano-americana. Finalizações foram poucas, apenas três. O número mágico de Dante, inclusive. 

Esaú e Jacó - Machado de Assis



Esse romance machadiano conta a vida de dois irmãos gêmeos: Pedro e Paulo. Eles são idênticos, contudo, possuem mentes completamente diferentes. Um é conservador; já o outro, a favor da República. Eles não se dão bem de forma alguma e o pior: se apaixonam pela mesma moça, a Flora.

Foi uma leitura que se arrastou de fevereiro até abril. Eu gostei, acho que é uma leitura que dá pra levar, mas não me fascinou de forma alguma. E isso é muito estranho porque sou obcecada por Dom Casmurro há, pelo menos, sete anos. Senti falta de uma ação, mental mesmo. Não consegui me conectar com os irmãos ou conhecer os seus pensamentos e motivações. Aliás, a história é contada por um amigo da família, o Aires. Talvez isso tenha prejudicado um pouco. 


Vida nova - Dante Alighieri 




Esse livro é bem lindo. É todo sobre o amor. Especificamente: o amor que Dante sentia por Beatriz, uma moça que ele conhecera quando tinha nove anos e que voltara a reencontrar com dezoito. Acontece que foi tudo um amor platônico, inclusive, ela não o cumprimentou quando o viu pela segunda vez (e isso cortou o coração de Dante em mil pedaços). Dante conta, em prosa, tudo o que sente por Beatriz, o que fazia para esconder das outras pessoas o seu sentimento, sua vida de poeta, a rejeição... O interessante é que no meio da prosa, surgem as poesias. Dante coloca seus poemas no meio da obra e o melhor: vai explicando o que ele sentia e o que queria dizer quando escreveu o poema em questão.

Ele vê o Amor personificado em uma pessoa. Ele sonha com a Beatriz comendo seu coração, literalmente. Ele diz que quando começamos a amar alguém, iniciamos uma vida nova. Tem coisa mais bonita? E é uma ótima pedida para quem se interessa em ler A divina comédia. Vida nova é o seu precursor. É essa mesma Beatriz, musa do poeta, que vai aparecer guiando-o no Paraíso. 


O escolhido foi você - Miranda July




Esse foi pros favoritos. Eu amei. A Miranda escreve em primeira pessoa sobre a sua experiência escrevendo um roteiro de cinema. Ela sofre de um bloqueio criativo, não consegue dar veracidade aos personagens, então decide entrevistar diversas pessoas que anunciaram a venda de algo em um jornal chamado PennySaver. As pessoas oferecem de tudo: tem gente vendendo desde de Ursinhos Carinhosos até girinos. Ela propõe uma entrevista e vai lá perguntar o motivo pelo qual as pessoas estão vendendo os objetos, a sua história de vida, o que elas pensam sobre a vida...

Achei uma homenagem ao ser humano. Conhecendo a história de outras pessoas nos deparamos com experiências e dores vividas por nós. Nos encontramos no outro. No meio das entrevistas, Miranda se depara com temas como a morte e a decisão de ter ou não um filho. É tudo muito real, muito humano. E muito bonito. É muito legal ver como as pessoas são únicas, cada um com o seu detalhe específico e especial. Deu uma super vontade de sair por aí entrevistando pessoas e escrevendo. 


Sobre um conto borgeano e mentes alheias



A literatura do Borges me surpreende cada vez mais. Eu sempre começo a ler achando que encontrarei algo e me deparo com ideias completamente surreais, muito além do que a minha imaginação achava que encontraria. Às vezes até preciso parar pra pensar “Caramba, tem um homem que foi criado em um sonho e caminha sob o fogo” ou “Borges tá mesmo conversando com o Borges vinte anos mais velho prestes a se suicidar nesse conto?”

Eu gosto dessa brevidade e magia dos contos que abordam o realismo mágico. É ler Felisberto Hernandez e conhecer uma mulher que se apaixona pelo seu balcão. Tudo isso em poucas páginas. É demais. Me faz andar pela rua e imaginar em que momento uma coisa louca vai acontecer ou quando eu vou cair em uma toca de coelho e mudar de tamanho constantemente perto de uma lagarta que fuma.

A surpresa dessa vez foi por causa do A memória do Shakespeare. Confesso que comprei o Nove ensaios dantescos & A memória de Shakespeare por causa do Dante. Eu queria saber o que Borges falou sobre A divina comédia, essa viagem louca que também me surpreende cada vez mais, gerando sentimentos diversos. Diversos, porém, bons. Estou amando andar pelo além-vida com dois poetas.

Sobre o livro: a edição da Companhia das Letras é tão linda que nem sei por onde começar. Não sei se é a capa que me encanta, o nome do Borges em evidência, a fonte, o papel amarelado. Talvez seja o fato de que você abre o livro e vê uma foto do Borges olhando pra cima. A edição toda é bem perfeitinha mesmo.

Tentei ver o que Borges via, mas não sei se deu


Comprei o livro e não sabia muito bem o que esperar sobre a segunda parte. Ela tem quatros contos, que eu estou lendo aos pouquinhos. Hoje eu li A memória de Shakespeare. Nele, um homem é um fã do poeta inglês. Fã de pesquisar, de dedicar a vida estudando o autor. Em uma conversa com outro admirador, ele recebe a oferta de ser portador da memória do Shakespeare. Lembrar de tudo que aconteceu com ele dentro da sua mente, como se fosse uma memória de uma vida vivida por você.

O quão incrível?

Não faz pensar em que mente a gente gostaria de viver? De qual autor conheceríamos o cotidiano e o interior? Sempre penso em entrar na mente da Sylvia Plath, mas não sei se aguentaria tantos sentimentos, tanta intensidade. Seria como andar em cima de um vulcão em atividade.

Eu entraria na mente de alguém? Gostaria de ter lembranças alheias? Esse conto faz pensar, dá margem pra tanta reflexão. No final, tudo tem uma vibe meio Quero ser John Malkovich.

A gente aguenta viver na mente de outra pessoa? 



Reação: primeiras fotos de Neil Patrick Harris como Conde Olaf





Fica até difícil escrever por causa das emoções. 


Quando eu tinha 13 anos comecei a ler Desventuras em série. Foram, coincidentemente, 13 livros que me moldaram como pessoa, leitora e escritora. Série preferida mesmo. 



Nunca vou me esquecer da história dos três órfãos Baudelaire que sofreram muito nas mãos do seu tutor, Conde Olaf. Ele estava atrás da herança dos meninos e foram 13 livros de muita perseguição, disfarces cômicos e sofrimentos. Sim, porque o autor já deixa claro no início que essa é uma história triste. Os órfãos estão constantemente em fuga, parando em lugares bizarros e tentando descobrir o mistério (e que mistério) em que os seus pais estavam envolvidos. 



Violet, Klaus e Sunny  tem dons e características próprias e sempre saem dessas enrascadas usando o que eles sabem e o que eles tem ao seu redor. Acho que sempre admirei essa coragem, inteligência e como eles se tornam autossuficientes. Além do companheirismo gigante que eles tinham um pelo outro. 



O Daniel Handler escreve de maneira irônica. Ele provoca o leitor, conversa com ele. Brinca com metáforas maravilhosas e construiu uma cena que moldou a minha vida: nunca vou me esquecer de quando a Violet diz para o Olaf que ele nunca conseguiria sair com um barco em determinada situação (acho que eles estavam em cima de um prédio [?]) por causa da lei da gravidade e ele simplesmente vira e diz: "Bom, acho que terei que colocar a gravidade na lista de meus inimigos". 

É um personagem que coloca a GRAVIDADE como inimiga simplesmente por ela estar na frente dos seus planos. Ele é louco, mas suas atitudes chegam a ser cômicas. É como se ele vivesse em um mundo diferente. 

Tem um filme muito bacana, feito em 2004. Eu, pelo menos, gostei. 



Só que a Netflix (segura esse meu coração, só vem série boa daí) vai fazer a sua adaptação de Desventuras em série. 



As gravações começaram recentemente, no Canadá. E as primeiras fotos saíram ontem (26). O Neil Patrick Harris (lembra de How I met your mother? Lembra de AHS: Freak Show?) vai interpretar o Conde Olaf! Trabalho que foi feito pelo Jim Carrey no filme. 



Eu confesso que quando soube que ele tinha sido escolhido, fiquei na dúvida, devido à aparência mesmo, porque curto o trabalho do ator. Após essa caracterização eu não posso falar nada! Ele está idêntico ao personagem. 




O livro possui diversas ilustrações lindas da história e olhem como ficou parecido. Simplesmente É o Conde Olaf aí. 



Estou ansiosa pra série? Estou morrendo de ansiedade. E de felicidade. 

O que me motivou a iniciar um projeto. Já faz sete anos que terminei de ler a série, as lembranças estão nubladas, quase não lembro dos mistérios. Já não tenho mais aquela agenda livre de 13 anos em que eu passava toda tarde lendo. Agora tenho leituras da faculdade, casa pra arrumar (morar longe dos pais é isso: miojo, limpeza, bisnaguinha com manteiga) e responsabilidades, mas pretendo começar, lentamente, a ler toda a série de novo. Pra fazer um esquenta pra série. E ver o que eu acho dessa leitura agora que tanto tempo passou. Espero que ainda tenha aquele sentimento "caramba, como eu queria escrever igual esse autor" e que continue me dando vontade de escrever. 

O Mau Começo já tá no kindle. Vamos ver o que acontece. 

E vamos ver o teaser que já saiu. Com Dresden Dolls como trilha sonora!